Sorocaba ganha  show de Guilherme Arantes em seu  352º aniversário
 
14/08/2006

 

 

   Em entrevista concedida por telefone ao Mais Cruzeiro , o compositor paulistano, radicado na Bahia, revelou que está gravando um disco de repertório inédito, com lançamento previsto para o início de 2006. Nesse trabalho, Guilherme Arantes retomou sua parceria com Nelson Motta - com quem compôs músicas bossa-novistas como "Coisas do Brasil" (1986) e "Marina no Ar" (1987).
      Os dois já aprontaram duas músicas para o novo CD de Arantes, intituladas "Chega de Saudade 2005" e "Vai e Vem (Amor de Carnaval)". A idéia de Guilherme Arantes é fazer um álbum com várias participações especiais. A gravação acontece em seu estúdio, em Salvador (BA), onde o artista fixou residência. Leia a seguir trechos dessa conversa reveladora:

Por: Adriane Mendes

 

Guilherme, o que o público sorocabano pode esperar para esse show?

GA: Uma retrospectiva desses trinta anos de carreira que completo agora, as músicas mais conhecidas a algumas escolhidas por questões pessoais, mas os sucessos estarão todos lá. Será um reencontro com Sorocaba e dessa vez será em praça pública, que é mais democrático.


Parece que você está gravando um novo disco no seu estúdio na Bahia. Fale um pouco sobre isso.

     G.A.: Terá baladas com bossa-nova, retomada da minha parceria com Nelson Motta. Um disco que pode retomar minha trajetória tortuosa. O disco dever sair no começo do ano que vem.


Por que tortuosa?

    G.A.: Por causa da mídia, toco piano, teve o apogeu e o declínio, especialmente nos anos 90. Tem poucos pianistas, tecladistas, a gente já teve maior receptividade, o mercado fonográfico ficou mais comportamental e rítmico. Mas a gente tem que fazer o que sabe, não podemos nos render aos apelos. A minha profissão é fazer música, não é fazer sucesso, mas muita gente não entende. Meu sonho de criança era fazer música, se faz ou não sucesso é inexpressivo.


Há quem diga que faltam novos compositores e intérpretes. Você concorda? Como você analisa o cenário musical atual?

      G.A.: A gente passou por um período em que o mercado fonográfico migrou entre três mídias diferentes: vinil, CD e DVD. Com a entrada do DVD foi o tempo dos shows ao vivo, para poder migrar ao novo espaço. Assim, o mercado ficou retraído para novas canções. Temos cantoras ótimas, a Marisa Monte é uma aberração de beleza, de qualidade, sou fãzaço dela; surgiu uma nova geração...sou apaixonado pela Ana Carolina. Já chorei muito com músicas dela...a Ceumar é sublime.


Guilherme, já há alguns anos você se mudou para Bahia, onde tem um projeto ambiental, se eu não me engano. Fale um pouco sobre isso.

  G.A.: Estou na Bahia há seis anos. Tenho uma pousada com estúdio, mas não se trata de negócio hoteleiro, não tenho tino comercial para isso. Essa semana teve uma cantora americana cantando só músicas brasileira, e o pianista Jovino Santos, que já tocou com Hermeto Paschoal, está lá também tocando no meu piano. Quero que lá se transforme num point da música popular. Como a pousada está numa área de preservação ambiental, tenho a ONG Instituto Planeta Água, com a qual acontecem ações de alfabetização, aulas de capoeira e de artesanato. Há parcerias com o Senai, Sebrae, já replantamos árvores como pau-brasil, maçaranduba, jacarandá, além das frutíferas como mangaba, acerola, manga... Quem quiser conhecer mais pode acessar o site www.planetaagua.net.


O fator violência foi o que motivou sua mudança para a Bahia?

     G.A.: Não, não foi. Amo São Paulo; o que motivou foi a qualidade de lá. É claro que falta muita coisa, o comércio não é igual ao de São Paulo, a movimentação do Rio de Janeiro, lá ficamos mais isolados. Para fazer show tenho que viajar. Havia um paradigma para quebrar: de que no Nordeste nada dá certo. Mas esse é o momento da Bahia. Foi positivo para minha família. Minha filha de 8 anos estuda numa escola onde há mais negros, e isso para sua formação e futuro será bem melhor do que se estivesse numa escola de classe média da zona sul de São Paulo, onde há mais brancos. A vida à beira-mar, os passeios, vivemos subindo em árvores, tem macaquinhos... Espero viver mais trinta anos, e São Paulo não é lugar para velhos assim como Londres, Roma...


Como paulistano, como você enxerga o drama da segurança pública no Estado de São Paulo?

       G.A.: A bandidagem, além de muito bem aparelhada, pega o governo mal estruturado. É uma luta política, me parece guerra eleitoreira, e o PCC percebeu a falta de unidade entre o federal e o estadual e a bandidagem aproveitou.


E a população é quem paga o pato?

     G.A.: A população paga o pato sempre. A população é que tem que pensar no futuro, São Paulo não devia votar no Lula. As leis são anacrônicas, não tem nem legislação para celular em presídios, o Senado não faz nada, viraram um bando de lavadeiras. O Brasil está numa crise institucional perigosíssima, quando se devia pensar no bem maior que é a população. Isso (se referindo aos ataques) só pára depois da eleição.


Politicamente falando, como você avalia o País nesse momento?

        G.A.: Sou apoiador de Heloísa Helena num primeiro momento, é um figura nova na política e representa um anseio popular da mulher brasileira. Tá na hora de termos uma mulher presidente, pois a mulher não tem a prática de coronealismo e de conchavos. Devia até ter outra mulher na política, mas da direita, para confundir ainda mais o cenário político. Acho que só a mulher pode mudar esse quadro.


Guilherme, já virou quase uma tradição ter show seu no aniversário de Sorocaba. Qual sua relação com a cidade?

    G.A.: Amo Sorocaba. É uma cidade forte, bonita, uma das melhores do estado de São Paulo. Um reencontro muito bacana.


Qual música você gosta mais de cantar, e qual não pode faltar no show?

G.A.: "Descer a Serra" aí tem sempre que ter; por falar da Estrada de Ferro Sorocabana. "Amanhã" abre o show, que é a mais bonita, tenho muito orgulho dela, e "Planeta Água", que se atualiza nas escolas. Não esperava esse sucesso todo ao lançá-la no festival MPB Shell 81.

                                                                                                                     Fonte: Cruzeiro Net

 

Veja  algumas fotos do show e também o  vídeo de A MATA DE ONDE EU VIM .

                                                                   


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