" Olá, queridos!
Logo que comecei a
pré-produção deste
disco, estava um dia
conversando com o
Alexandre Fontanetti,
produtor do disco, e o
Costa Netto, diretor da
minha gravadora (Dabliú
Discos), e o Costa Netto
disse que tinha uma
sugestão de repertório
pra mim. Eu estava numa
fase de coleta imensa de
músicas, ouvindo e
recebendo de tudo para
testar e acatar ou jogar
fora, então me
interessei logo em saber
qual sugestão era
aquela. Ele sacou um
disco um disco onde
gravara só Cuide-se Bem.
Quis ouvir na hora!, e
me lembrei imediatamente
desta música, que já
tinha ouvido muito, meu
pai é fã do Guilherme.
Estava no fundo da minha
memória, eu nem me
lembrava! Aí, quando
chegou o refrão, "Pra
nunca perder esse riso
largo/ E essa simpatia
estampada no rosto",
fiquei maluca. Falei:
lindo!!! Lindo!!! Que
lindo!!! Tem um
trocadilho com Palavras
do Coração!
Palavras do Coração foi
nossa música de maior
sucesso no meu primeiro
disco ("São sorrisos
largos/ Lagos repletos
de azul..."). Acatei
Cuide-se Bem com
tranquilidade. Foi uma
das primeiras escolhidas
de todo repertório que
ficou no disco!..
Beijo procês, e pro
Guilherme que fez essa e
tantas outras músicas
lindas!
Bruna Caram "
Bruna Caram inicia a
divulgação seu novo
lançamento, o CD
"Feriado Pessoal". Foram
seis meses de preparo
entre escolha de
repertório, gravação e
mixagem ao lado do
produtor Alexandre
Fontanetti.
No
repertório, além da
faixa-título composta
por ela, há músicas de
Lô Borges ("Quem Sabe
Isso Quer Dizer Amor"),
Guilherme Arantes
("Cuide-se Bem") e
Caetano Veloso ("Gatas
Extraordinárias").
Em São Paulo, os shows
de lançamento do CD
serão nos dias 7 e 8 de
agosto, no Tom Jazz
Vídeo:
Bruna Caram - Palavras do Coração

Cuide-se Bem
(Guilherme
Arantes)
Cuide-se bem,
perigos há por toda a parte,
e é bem delicado viver,
de uma forma ou de outra,
é uma arte, como tudo.
Cuide-se bem,
tem mil surpresas à espreita
em cada esquina mal-iluminada,
em cada rua estreita,
em cada rua estreita do mundo.
Pra nunca perder esse riso largo,
e essa simpatia estampada no rosto.
Cuide-se bem,
eu quero te ver com saúde,
e sempre de bom humor
e de boa vontade,
e de boa vontade com tudo
- Shows:
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www.brunacaram.com.br
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(11) 3064-7105
FERIADO PESSOAL
BRUNA CARAM
Bruna Caram tem senso de humor, escreve muito e bem para
caramba. É musical e dona de uma bela voz educada,
respira nas regras da arte. Tem 22 anos e toda a
graça e frescor de seus 22 anos, o que pode encantar
o público masculino e já fez Hebe Camargo carimbar
seu indefectível “gracinha!” Também já foi dito que
Bruna canta sorrindo. Um sorriso franco de quem está
inteira em cada verso, preocupada em interpretar
tudo na exata. Um sorriso capaz de ser franco mesmo
quando não é nada sorriso. Simpática é a vovozinha;
a moça se impõe.
Neta da cantora de rádio Maria Piedade, Bruna nasceu em
Avaré (SP), berço do tradicional festival de MPB.
Caiu cedíssimo em caldeirão de sofisticadas
referências musicais e, dos saraus e rodas de choro
familiares, passou sem traumas para o
profissionalismo aos 9 anos. Por uma década inteira,
como integrante dos Trovadores Mirins, e depois, dos
Trovadores Urbanos, ganhou jogo de cintura e valiosa
quilometragem em contato com os mais diversos tipos
de público.
O primeiro álbum-solo, lançado em dezembro de 2006 pela
Dábliu Discos, chamava-se Essa Menina. No Japão, a
faixa-título chegou a emplacar em playlists de
rádios importantes. Aqui, a partir do sucesso de
“Palavras do Coração”, Bruna passou a ser incluída
na lista de talentos emergentes da MPB. Agora, seu
segundo disco foi batizado Feriado Pessoal, nome da
única composição própria que ela e seu elevado senso
crítico se permitiram incluir no repertório. É ouvir
e comprovar que a menina cresceu: o groove de sax
alto, guitarra e piano elétrico decola a partir de
um afro-beat à Fela Kuti, e Bruna mistura declaração
de independência com um bem-humorado pé no traseiro.
Estamos diante de uma cantora com voz própria e que sabe o
que quer. Não fica perdida na roda de samba da
quebrada alheia, não entra de penetra em baladas
eletrônicas, não compra pronto o modelito, o
business plan e o tal do “posicionamento no
mercado”. Bruna está cercada por uma turma talentosa
de músicos e compositores jovens de São Paulo,
companheiros de geração, amigos da música, do bar,
da vida real.
Na capa, ela aparece rindo, radiante, no alto do edifício Copan, 35 andares acima do chão paulistano. Parece
caçoar do horizonte de prédios, do cinza, da pressa,
da síndrome do pânico a cada esquina. E é por aí
mesmo. “Minha idéia era: esse som vai atravessar a
cidade”, confirma Bruna. Feriado Pessoal pode ser
refrescante ou energético, uma pausa antes ou depois
de docemente se deixar engolir pela urbe. Ou dela
fugir, como está literalmente expresso no folk
estradeiro “Caminho Pro Interior” (de Otávio Toledo
e J. C. Costa Netto), decorado com o trombone de
Bocato e ukulele. “É meio Mallu Magalhães”, comenta
Bruna, brincando. “Se quiserem que eu explique
tintim por tintim, posso beber uma pinga e passar o
dia inteiro contando. Mas queria que as músicas
comunicassem imediatamente. A intenção é alcançar
não só quem gosta de MPB, mas também quem curte
outros gêneros.”
Bruna estudou piano desde os 7 anos e está se formando em
Educação Musical pela Unesp. Até os 18, teve pouco
contato com jazz e pop estrangeiro. O Clube da
Esquina foi uma de suas fronteiras com o mundo pop,
ligação que a primeira música do disco, “Quem Sabe
Isso Quer Dizer Amor”, permite retraçar. A recente
pérola de Lô e Márcio Borges (gravada por Milton
Nascimento em Pietá, de 2003) abre espaço em
primeiro plano aos comentários blueseiros da
guitarra do produtor Alexandre Fontanetti. Famoso
pelos trabalhos com Rita Lee (Bossa’N’Roll é a maior
referência) e Zélia Duncan, ele injeta diversidade
nas três únicas músicas já conhecidas do repertório.
“Gatas Extraordinárias”, hit de Cássia Eller com a
assinatura de Caetano Veloso, não perde o suingue,
mas ganha luxuoso arranjo de cordas que remete ao
melhor da black music setentista. Na faixa final,
Alexandre convida Christiaan Oyeens, especialista em
violões havaianos de colo, para reinventar “Cuide-se
Bem”, sucesso de Guilherme Arantes de 1976.
Nas composições inéditas, o produtor consegue proezas ainda
mais expressivas, apoiado pelos pianos elétricos e
sintetizadores vintage de Marcelo Jeneci, o baixo de
Serginho Carvalho e ocasionais programações
eletrônicas de Bruno Fiacadori. Com “Fim de Tarde”,
de Juca Novaes e Edu Santana, ele e Bruna
concretizam o pop/soul paulistano tão perseguido –
em vão – pelo pessoal das décadas de 90 e 00. Em
veia semelhante, a balada “Um momento”, de Otávio
Toledo, explicita o sotaque na profusão de rimas em
“einto”. Jamais passou pela cabeça de Bruna
amenizar seu paulistês. “Não consigo cantar de um
jeito que eu não falo”, explica ela.
A escolha do repertório, está sussurrado quase secretamente
entre os agradecimentos, foi um “dramalhão”. Mas o
parto difícil gerou filhos bonitos. Entre os
destaques das pepitas garimpadas, está a sublime
“Amor Escondido”, de Janaína Pereira. Originalmente
um samba-choro, a canção ganha guitarra de colo,
violão requinto (afinado uma quarta acima, para
atingir notas mais agudas) e uma interpretação
genial de Bruna, saboreando a doçura de cada verso
como se fosse a última bala vermelha do pacote.
A bucólica “Em Paz”, escrita pelo jovem Pedro Altério com
seus pais, Rita e Rafael, é outra obra
inspiradíssima, com potencial para ser regravada em
décadas futuras. Misturando violinos, cellos e
guitarra filtrada por pedal wah-wah em seu belo
arranjo, a complexa “Alquimia” revela outro baita
compositor, Caê Rolfsen, 27 anos, elogiado
violonista e um dos líderes da Gafieira São Paulo.
E há também a melodia sinuosa de “Nascer de Novo” (de Dani
Black, prodigioso filho de Tetê Espíndola), cheia de
notas “enganosas”, que proporciona a Bruna um tour
de force vocal ao lado do piano de Marcelo Jeneci.
Ao final da gravação, sem Auto-Tune ou qualquer
outra maquiagem de defeitos, Alexandre Fontanetti
deixou escapar, orgulhoso: “Que outra cantora da
nova geração seria capaz de cantar essa música
assim?” Repasso a pergunta a você e aconselho: ouça
o disco inteiro. Com charme, jeitinho e simpatia,
Bruna Caram se impõe.
Pedro Só
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