Guilherme Arantes abre temporada no Bar Brahma
 
 

 Alguma coisa acontece no coração da esquina mais famosa da cidade de São Paulo: Guilherme Arantes estréia temporada no Bar Brahma. Pérolas de neon, Verde Vertente, Raça de heróis,  Baile de máscaras, foram algumas canções “lado B” que Guilherme tirou do baú, mesclando com hits o show que encantou o público presente. 

 Em clima descontraído de sala de visitas, Guilherme cantou e contou ao público um pouco dos seus 34 anos de carreira solo. O Bar Brahma, o mais tradicional da cidade, existe na esquina da Ipiranga com a São João desde 1948, mas foi depois de 2001 que passou a dedicar-se mais à música brasileira. Por seus palcos vêm passando tanto artistas emergentes da MPB quanto os muito conhecidos. O mais famoso deles, Cauby Peixoto, cumpre agenda no bar há seis anos. Agora Guilherme junta-se ao mestre Cauby na tarefa de manter viva a tradição da boa música no Brahma. E teve até “Trem das Onze”,  em uma homenagem ao mestre maior da cidade - o compositor Adoniran Barbosa. 

Guilherme promete, além do repertório surpreendente, a cada show, a presença de um amigo da cena cultural paulista – uma das promessas é seu mais novo amigo - o compositor Marcelo Jeneci. A temporada se estende até o final de junho.

 

21 de abril: show entre amigos de infância

Na segunda noite da temporada no Bar Brahma, em meio ao feriado de 21 de abril, Guilherme Arantes recebeu alguns amigos do Vocacional, colégio em que estudou na adolescência. Entre eles, o compositor Thomas Roth, que parecia se divertir muito, na plateia,  entre  “causos” e canções.

 Guilherme abriu o show com Raça de heróis, Prelúdio, Mania de possuir e Baile de máscaras. Mais tarde surpreendeu ao cantar Antes da chuva chegarReady for love, que ele e Nelson Motta compuseram especialmente par Lisa Stansfield, no início dos anos 1990, mas que, segundo o cantor,  foi preterida pela diva inglesa, que estava mais envolvida,  naquele momento, com a soul music americana. Mas a surpresa maior tinha sido reservada para o bis – Guilheme canta a tão pedida Luz verde, antes de Lindo balão azul, que, como de hábito,  levantou o público que lotava o Brahma.

 Nem a poluição eletromagnética, advinda do excesso de aparelhos celulares na sala, em seu aparelho de retorno de áudio, tirou o bom humor de Guilherme. Aliás, ele acabou cantando também  Bom humor, para o deleite dos fãs  – música também gravada pela amiga Leila Pinheiro. 

Ao cantar Blue moon para sempre, Guilherme emendou um trechinho de Scarborough Fair, do inspiradíssimo Paul Simon. Em meio a Coisas do Brasil,  uma lembrancinha de Tinha de ser como você, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, o que comprova que Guilherme vem cumprindo o prometido – uma seleção classe A de canções lados B a cada show.

 

Show de 28 de abril: lembranças da juventude 

Na noite de 28 de abril, Guilherme lembrou seus tempos de dureza, na época da FAU - USP, época em que ele e a primeira esposa comiam no Salada Paulista , ali, bem pertinho do Bar Brahma. "Tenho muitas lembranças boas desse pedaço da cidade", comentou Arantes. Subíamos, da USP,  rumo ao centro em ônibus da CMTC. “Eu usava um figurino composto de calça de Nycron, camisa Volta ao Mundo e sapatos Vulcabras”. (Risos da platéia).

Guilherme Arantes recebeu, na platéia, nesta noite, a presença ilustre da cantora e amiga de infância Klebi, que já gravou a canção Mania de possuir, em cd de 1999.

No repertório da noite A cidade e a neblina, Raça de heróis, Casulo, Ouro, Trilhas, Um deus ateu, Ready for love entre outras.

 

Show de 5 de maio: música e futebol 

Na noite de 5 de maio, Guilherme Arantes acompanhou, com interesse, junto com a platéia, os gritos, fora do Bar Brahma, que indicavam o desenrolar de Corinthians e Flamengo, pela Copa Libertadores da America.

Ao final, quando a notícia da eliminação do Corinthians chegou, por uma garçonete, Guilherme disse lamentar, embora, em seguida, tenha se vangloriado de torcer para o campeão paulista - o Santos Futebol Clube. Aplausos e vaias da platéia. As vaias vieram, evidentemente, dos torcedores de outros times e do E. C. Santo André, que se sentiram profundamente prejudicados pela arbitragem, na final em questão.

No roteiro da noite canções mais lado A. Foi um show mais convencional. 

 

Show de 12 de maio: a surpresa prometida 

Na noite de 12 de maio, Guilherme Arantes recebeu a equipe do site "saladanet.com", da apresentadora Maura Roth que gravou durante todo o show.

Na platéia,  familiares, e, novamente,  o amigo Thomas Roth, dos tempos do Vocacional.

Mas, a surpresa mais aguardada e  já prometida estava também no Brahma - o compositor mais promissor do momento - Marcelo Jeneci - que teve várias canções gravadas por Arnaldo Antunes e Vanessa da Mata, além de ser parceiro constante de José Miguel Wisnik e Luiz Tatit (Grupo Rumo).

Jeneci, que é muito tímido, acompanhou, da platéia, os vários elogios de Arantes, que lamentou que o "mais novo amigo" tivesse deixado a harmônica em casa. Guilherme se referia a uma eventual participação do músico na canção Lágrima de uma mulher, que segundo Guilherme, leva, musical e harmonicamente, algo em comum entre ambos. Fica para a próxima.

No roteiro O olhar profundo, Oceano, Só Deus é quem sabe, Toda vã filosofia,  Trilhas, entre outras.

 

Show de 19 de maio: ensaio público, amigos do colégio e Donovan
 
 
Na noite de 19 de maio, o público presente ao Bar Brahma, já por volta da 21hs30 levou um susto. De forma simples, sem muita explicação, ainda de jeans, tênis e camiseta, Guilherme Arantes entrou para passar o som. O público parou para ver Arantes, que pediu para que todos continuassem a tomar seu chope, ignorando sua presença por ali. Foi impossível. E para a maior parte do público, já por ali, o show já estava "ganho". Ele e  o técnico de som  tomaram a cena. Guilherme conversou com o técnico, com o produtor do local, passeou descontraidamente pelo salão, entre o palco e a técnica. Depois saiu para o camarim. O público adorou ....
 
Voltou, mais tarde, para o show oficial  e para cantar vários "lados B", entre os quais Antes da chuva chegar, Raça de heróis, Mania de possuir, Muito diferente, Prelúdio, Luz e som, Ready for love, entre outros. Pouco depois cantou To Susan on The West Coast waiting, de Donovan, que ofereceu para os amigos de colégio, presentes na platéia.

 

Show de 26 de maio: Clássico no Morumbi, muitos turistas e trilhas de novelas

Em noite fria e chuvosa, o trânsito em São Paulo ficou muito perto do caos total. Foram quilômetros e quilômetros de congestionamento. Mas, isso é algo com que o paulistano tem tido que se habituar, queira ou não.

Some-se a isso um clássico no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro, entre Palmeiras e São Paulo: a coisa ficou  muito pior. Havia, ainda, uma série de feiras e exposições na cidade, e, por conta delas, muitos turistas circulavam na noite paulistana. E muitos deles terminaram a noite assistindo ao show de Guilherme Arantes, no Bar Brahma.

E Guilherme não decepcionou a ninguém. Cantou todos os seus hits e, principalmente muitos temas de novelas: Meu mundo e nada mais (Anjo Mau, 1976), Cuide-se bem (Duas Vidas, 1976), Amanhã (Dancin' Days, 1977), Deixa chover (Baila Comigo, 1981), Prelúdio (O homem proibido, 1982), O melhor vai começar (Sol de Verão, 1983),  Um dia, um adeus (Mandala, 1987), Raça de heróis (Que rei sou eu?!, 1989), Sob o efeito de um olhar (Vamp, 1991), Trilhas (A próxima vítima, 1995).

 

Show de 2 de junho: Frio, feriado, Bar Brahma hiper lotado e John Lennon

Em véspera de feriado de Corpus Christi, da Marcha para Jesus, da Parada GLSBT, a cidade estava repleta de turistas. Quem ficou em São Paulo ou chegou à São Paulo e resolveu ir ao Bar Brahma enfrentou sérias dificuldades. Além da dificuldade do trânsito, já incorporada aos hábitos da cidade, a dificuldade de reservas para o show foi imensa. Já na segunda-feira não havia mais mesas disponíveis.
 
Pouco antes do início do show principal, o ator Luis Maurício, já bem conhecido dos frequentadores, e que, geralmente, incorpora o personagem Chaplin, fez uma performance em homenagem à Gal Costa.

Guilherme Arantes entrou, pontualmente, às 10hs30, em um Bar Brahma hiper  lotado. Foi difícil, inclusive, chegar ao palco e, ao final, sair do palco. Mas o aguardava um público super animado e bastante afinado com suas canções.
E foram cerca de 30. As "14 mais que cabem no CD de maiores sucessos" e muitos "lados B" - aqueles que fazem o encantamento dos fãs mais antenados.

Guilherme cantou, além dos hits, Viva!, Xixi nas estrelas, Ready for love e um medley que incluía Férias de verão/Muito Diferente/Woman - em uma homenagem ao mestre John Lennon, de quem Arantes se confessa super fã e de quem herdou uma super influência.

O cantor, que estava muito resfriado, chegou a pedir uma "média" (Tecla SAP - o que, em São Paulo, significa um café com leite grande ), para aquecer a garganta, pois estava meio rouco. O garçom entregou seu pedido no palco, o show continuou empolgante e ao final Fã número 1 e Lindo balão azul foram cantados em clima eufórico pelos fãs. Uma noite memorável.

Veja os vídeos de:

Guilherme Arantes - A cidade e a neblina

Guilherme Arantes - Antes da chuva chegar

Guilherme Arantes - Todo mês de maio na maior

Guilherme Arantes - Verde Vertente

Guilherme Arantes - "Pérolas de Neon"  e "Marietta" 

Guilherme Arantes - Ouro

Guilherme Arantes - Casulo

Guilherme Arantes - Amanhã

Guilherme Arantes - Viva!

Guilherme Arantes - Raça de Heróis

 

 

      

 

 

                         

 

 
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